Um
dia quis sair de casa, porque há muitos anos
Trazia uma
enorme carga em cima dos ombros e espalhada
Por todo o corpo,
pensei meu Deus como me posso separar desta
Impiedosa carga,
pensei, pensei, então resolvi abandona-la o mais longe
Possível. Caminhei
durante um dia todo, mas em cada passada deixava uma flor
Para que assim eu
não me perdesse de volta.
Fez-se noite, já
cansada adormeci, quando tentei voltar vi, que todas
As flores se
tinham reproduzido e florido… com as mais belas cores com que DEUS as pintou
Então, aí estava
mesmo perdida! Pois já não soube mais encontrar o caminho, todas elas me pediam
que as apanhasse sem deixar nenhuma delas. Para trás, assim as fui colhendo de
uma, a uma,
Até que já não
tinha mais espaço nem força para poder com elas, de tão cansada que estava
deitei-me no chão e adormeci, acordei com muitos gritos, e palavras bem
explicitas
Era cada uma delas a
gritar, agora ficas a saber! Que as saudades irão sempre estar contigo onde
Quer que estejas e
ainda mais, sem que a possas matar... porque ela só morre pela metade e essa
metade só no dia em que tu morreres. Porque? Mesmo depois disso, ainda cá deixarás
algumas
No coração de quem
te ama.
Nunca tentes
livrar-te de algo que não podes arrancar de dentro de ti.
A saudade não se
compra, não se vende, e, muito menos a podes matar, ela nasce na alma, e parte
com a alma, para todo o lugar.